23/07/08

O cidadão já percebeu que isto não é um chapéu mexicano

Finalmente, o cidadão comum deu de caras com uma coisa nojenta na sua origem e nojenta no seu périplo de intermediários até chegar ao nosso bolso - o petróleo!
Embora caminhasse sobre ele, fosse transportado por ele, alimentado por esse mesmo petróleo, ainda não fazia parte do seu círculo de amigos que o acompanha em todas as discussões. Todas as necessidades, conforto, luxo, milagres e até a prótese da anca que o ajuda a andar, deve-o aos combustíveis fósseis.
Aos combustíveis fósseis, mas...baratos!

Esta será a primeira questão.
Estamos a caminhar para o fim da era do petróleo barato, que marcou e iluminou a humanidade no último século, como nunca tinha acontecido desde que o pretensioso bípede pôs o seu delicado pezinho nesta crosta terrestre.
Por outro lado...
Provocou uma explosão populacional, duplicando(!) o número de seres humanos nos últimos 50 anos, ao mesmo tempo que se extinguiam 300 000 espécies dos 10 milhões que se calcula existirem, para terminar com as conhecidas vicissitudes do aquecimento global.
Iluminou o planeta para melhor o poder vandalizar!

A grande questão é, contudo, outra.
Teremos atingido o pico da produção petrolífera, ou seja, o momento em que se extraiu metade de todo o petróleo existente no mundo - a metade mais fácil de alcançar, de obtenção mais económica, de mais qualidade implicando refinação mais barata?
No limite, vamos deixar o combustível fóssil nas entranhas da terra quando, para extrair 1 barril desse produto, consumirmos outro...
Se atingimos esse pico, isso significa a proximidade da devastação de economias nacionais, derrube de governos, proliferação de conflitos militares, enormes tensões dos sistemas sociais, tornando evidente a incapacidade de sobrevivência dos actuais índices da espécie humana!!!!

O desenvolvimento de energias alternativas com capacidade de substituir o papel do petróleo, pode libertar-se demasiado tarde das grilhetas dos poderosos grupos económicos que o manietaram durante a era deste maná.
Então, a agricultura local de subsistência, tecnologicamente modernizada, voltará a ter o seu papel histórico, a nova distribuição demográfica castigará as grandes cidades, como tudo o que esteja baseado no recurso a grandes e sistemáticos meios de transporte, bem como a grandes consumos energéticos, revolucionando toda a estrutura social, política e até religiosa, subjacente.

Já teremos dobrado o ressuscitado Cabo das Tormentas do pico do petróleo, implicando uma regressão a uma moderna e consciente idade média, memória histórica da face negra do ser humano?
Esse será um dos segredos mais bem guardados na face da terra ... logo que se esclareça se o Mantorras continua no Benfica!

2 comentários:

amsf disse...

Esperemos que os especuladores dos mercados financeiros tenham um papel positivo ao antecipar a rentabilidade das outras tecnologias energéticas alternativas! Felizmente que o crude atingiu rapidamente estes valores (148 USD) impensáveis há 10 anos (c/ de 10 USD) pois só assim se investirá na eficiência energética e noutras energias alternativas. Suspeito que as energias alternativas não conseguirão igualar os preços do crude de há 10 anos pelo que a humanidade já terá atingido o seu auge a nível numérico. Se a humanidade não souber se conter demograficamente a fome, a guerra, etc, fá-lo-ão!

RR disse...

Virão aí dias muito negros.
Temos uma parte do globo "agarrados" pelo consumismo e outra ávidos de consumismo. E não vai haver lugar para todas estas "vítimas"

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