05/07/14

O que esconde uma bandeira?

Durante anos a Fortaleza do Pico, na Madeira, defendeu os madeirenses dos piratas que frequentemente assaltavam a ilha.
Nos anos mais recentes, a Fortaleza, embora sem as peças de artilharia que a adornavam, constituiu um símbolo de resistência a outras piratarias. Estas bem mais difíceis de combater, porque estes artistas da piratagem dormiam na mesma terra ... e até eram donos dela.
Foram várias as tentativas de assalto, por parte do chefe do Governo Regional, mas sempre repelidas por falta de acordo entre sitiantes e sitiados.
Esteve prevista a entrega ao Grupo Pestana. Dionísio Pestana tinha mesmo desenhado um elevador panorâmico para este futuro hotel de charme. O intermediário, o Secretário dos Assuntos Culturais foi a pessoa indigitada pelo chefe. Curiosa a entrega de um negócio de hotelaria aos assuntos culturais!

Em todo o país, as fortalezas sempre estiveram entregues aos militares.
Um ou outro abuso arquitectónico não retiram aos militares o mérito de terem impedido que se tornassem um monte de pedregulhos.
Contudo, foi com toda a seriedade que esses edifícios históricos tiveram outros destinos - museus, pousadas, etc. - sempre que o interesse do Estado tenha sido salvaguardado, tanto no aspecto económico como na faceta cultural.

É neste enquadramento que tomámos conhecimento que a Fortaleza do Pico foi entregue ao Governo Regional (GR), com direito a "papel passado" e com algum beberete festivo.
Parece-nos correcto, desde que ...
O "desde que" é que nos preocupa, porque nestes acordos de cavalheiros (mesmo com "papel passado") as coisas nem sempre são transparentes.
Os interesses do GR e da República deveriam ser coincidentes. Afinal, trabalhamos todos para o bem desta comunidade, chamada portugueses, mesmo que uns sejam madeirenses e outros ribatejanos, transmontanos, etc. Mas não são, por causa dos seus intérpretes. A visão provinciana está sempre presente. Pior ainda quando outros interesses obscuros se sobrepõem aos outros.

O referido chefe do GR já deu uma triste imagem do seu aparente objectivo - "poder pôr a bandeira azul e amarela lá em cima". Reparem no complexo e no alívio transmitidos neste "lá em cima".
Ficará satisfeito com esse gesto libertador? Como ele referiu em tempos numa entrevista "não sou uma besta".
Qual o destino, portanto, a dar à conquista realizada?
Confirma o velho destino "cultural" denominado Pestana?
Dá-lhe o mesmo destino que outros edifícios históricos conquistados? Uma monumental discoteca também podia encher os cofres de alguns amigos, desde que seja içada a bandeira, bem entendido!

Afinal, tudo parece claro no Diário da República.
Uma embarcação será entregue à Marinha, mesmo que já esteja em uso pelos cadetes da Escola Naval.
Cede-se o direito de uso das instalações do «Edifício Funchal 2000», mesmo que não saibamos os termos deste direito de uso. Desejamos que não fique sujeito a eventual retorno segundo critério abusivo do chefe!

Tudo isto ficaria livre de especulações e de obscurantismos, se tivesse sido devidamente divulgado o protocolo que as partes subscreveram.
Mas isso é pedir demais, quando tantos interesses obscuros são escondidos atrás de uma bandeira!

Contador

A revolta da chibata (ver primeiro post sobre o tema)

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