Algo mudou politicamente na Europa neste fim de semana.
Se foram ventos de mudança ou simples aragens, o tempo o dirá. Está nas nossas mãos, não sabemos é se lhe queremos pegar, preferindo ir para casa para nos protegermos dos ventos.
Os comentadores políticos nacionais, bem escolhidos e mais ou menos encostados ao poder vigente, são unânimes:
- Podem fazer as viragens à esquerda que quiserem, tudo ficará na mesma porque A. Merkel continua com o porta-moedas.
Para estes analistas caseiros, o povo é um verbo encher, incluindo o eleitorado alemão.
No sec XVIII em pleno coração da Europa, a burguesia também reinava em todo o seu esplendor. Até que, certo dia, o povo de más maneiras cortou-lhe o pescoço.
Nos nossos dias, se o povo tem imaginação para fazer surf na ondulação dos cacilheiros, é altura de cavalgar este pequeno tsunami político europeu e pôr algumas questões:
- Estaremos condenados a que a avaliação da dívida soberana de países independentes continue a ser feita por agências de rating privadas, que, por sua vez beneficiam com a especulação?
Ou temos de partir rapidamente para a criação de uma agência de rating europeia, essa sim comprometida com os interesses da Europa?
- Ficaremos "orgulhosamente sós" nesta masoquista política de empobrecimento, contrariando esta onda de crescimento económico como forma de sair da crise?
Na Grécia, o líder do Syriza quer um governo de esquerda para romper com a troika. O partido mais votado Nova Democracia não quer formar governo. Abre-se a porta para uma inversão histórica na Grécia com repercussões na Europa.
O PC grego já manifestou a sua indisponibilidade para integrar um governo de esquerda. Terá ou não razões legítimas, mas são certamente incompreensíveis para o povo de esquerda. Assim, é difícil!
Por cá, um sinal muito curioso. O hipotético candidato socialista à C.M. do Porto, prometeu propor uma coligação das forças de esquerda. Terá futuro? Será um bom prenúncio? Tudo dependerá da existência de um programa de esquerda. Aqui, como na Grécia!

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