Uma manhã de praia na Costa da Caparica.
Os banhistas nacionais reflectem, no espelho das poças, as suas ansiedades e as tentativas de fuga ao pilão que ritmicamente os vai massacrando até o capitalismo nacional retomar os bons velhos tempos.
Logo, às 19.20, os carregadores do pilão transportá-lo-ão para a RTP. É fartar vilanagem!
Voltando ao pessoal que anda a banhos.
A linha de baixa-mar é assinalada por uma longa fila de seres humanos balançando as ancas. É a melodia dos querem encontrar na areia molhada as "cadelinhas", esse luxuoso marisco desmesuradamente consumido pelo povo e que nos levou a este ponto de penúria. Indiferentes, consomem calcanhares e entoam para si melodias de sempre ...
Mais acima, no relvado branco da areia seca, pais e avós puxam por meninos obesos, tentando criar tristes milionários Ronaldos. Quando o menino está esganado de ir buscar a bola chutada por pés obtusos, é tempo de intervalo. Tempo também para os papás tratarem do físico. Umas flexões de braços, mais no estilo mata-borrão e a frustração final de não corrigirem num dia de praia os desvarios das super-bock dos restantes dias do ano. A esperança reside no filho que lhe proporcionará uma mansão no Paseo de la Castellana e até desviará o personal trainer para lhe tirar aquele estúpido barrigaço.
Ao fundo, um exercício de salvamento. Um magote de povo guloso e viciado em gastos que arruinaram o país, procura salvar das mãos vizinhas umas amostras de carapaus enrolados em areia. E o preço sobe, sobe, ficando mais caro que o legalizado peixe da lota. Ah, mas aquela frescura de peixe acabadinho de sair ... e o gozo de enganar o Gaspar!
Viva la playa!(para ir treinando o puto na lingua do Real)

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