20/12/13

O voo TP 607

Bruxelas faz uma peregrinação semanal de louvor a certos e determinados deuses.
Todas as 5ª feiras a peregrinação dirige-se pelas ruas da cidade em direcção ao aeroporto.
Os peregrinos seguem de carro, trajam de cerimónia e carregam pastas negras como adereço indispensável.
Eles e elas amam os deuses que guiaram a mão do povo.
São os deputados europeus, os nossos deputados europeus.

Desfeita a peregrinação, o caminho de casa é feito no voo TP 607.
Capoulas Santos e Edite Estrela, separados do povo por um cortinado pouco socialista.
Alimentação e tratamento especial, porque 2 dias de trabalho dourado deixaram-nos esgotados.

Mais atrás, arriscando a vida no meio do povo, a Ministra das Finanças do PSD mas não do país.
Entre ela e o povo, uma cortina de assessores ou quejandos.
Os quejandos falam alto sobre assuntos que o povo perceba - avó que faz massa sovada e bolos lêvedos, etc.
O povo sente-se mais próximo destes do que dos outros.
Passos Coelho mandou os governantes para a classe popular. A direita é vesga mas não é parva.
Para retalhar o povo é preciso ganhar-lhe a confiança.
Os deputados europeus, neste caso socialistas, só precisam de descer ao povo dentro de alguns meses.
Durante o próximo período eleitoral, voltarão  a estender a mão para renovarem o bilhete executive para Bruxelas.

O voo TP 607 desapareceu do radar da democracia. Mudará o rumo quando o povo acordar!

02/12/13

Anda por aí muita areia atirada aos nossos olhos

Por ser altamente esclarecedora e oportuna, transcreve-se a carta que o Sr. António Henriques  (subscritor da APRE - Núcleo do Seixal) ao jornalista, autor de artigo na Visão:

Como assinante da Visão de há muitos anos, li com o habitual interesse a sua crónica desta semana, sob o tema “O mundo ao contrario”.
Concordo consigo com o apoio que os reformados estão a dar aos filhos e netos sem emprego.
Mas há uma pequena imprecisão na sua crónica quando alinha na tese da demografia que “os ativos estão a pagar as reformas dos mais velhos, o dinheiro não está numa caixinha”.
Esta tem sido a tese do governo para dividir. Tal como a tese dos aposentados da função publica contra os privados. Tal como a tese das pensões ricas contra as pensões pobres.
Tudo isto é apenas a tentativa dos sucessivos governos de tentarem esconder a realidade, a sua incapacidade tecnica e a má gestão que têm feito dos dinheiros que lhe foram confiados.
 
A verdade é que nas reformas há apenas uma divisão correta: os reformados do regime contributivo (que são a esmagadora maioria) e os reformados dos regimes não contributivos.
A verdade é que ao longo da sua vida, o trabalhador descontou uma parte do ordenado e a entidade patronal outra parte, para assegurar essas reformas.
Isto passou-se nas antigas Caixas de Previdência (CP), que constituíram o que se denomina de “fundo de pensões”, justamente para assegurar o seu pagamento.
É exatamente o mesmo que acontece com os seguros de vida/renda, em que a seguradora calcula com critérios atuariais (valores, idade, esperança de vida) quanto é que terá de receber para depois poder pagar uma renda mensal após a reforma.
 
Com a criação da Segurança Social (SS) nos anos setenta, a maioria das CP foram extintas e integradas, e nessa altura entregaram os fundos de pensões que possuíam, na maioria dos casos largamente excedentários, tendo sido formalizada essa integração com acordos escritos com o governo da altura, em que este se comprometia a respeitar os compromissos que eram suportados por esses fundos (por exemplo, ainda hoje os profissionais de seguros têm um “subsidio de lar” que apoia a renda de casa e necessidades sociais imprevistas).
Ou seja, ocorreu o mesmo que a recente entrega do fundo de pensões da banca, da Portugal Telecom e outros, ao estado – até com negociação especial que os isentou dos cortes.
Houve uma diferença estratégica também muito importante: enquanto as CP tinham na sua gestão representantes dos trabalhadores e entidades patronais, a SS passou a ser gerida apenas com pessoas nomeadas pelo estado.
 
É claro que, infelizmente, apareceu um primeiro ministro mais espertalhão que, perante tanto dinheiro, entendeu que os reformados dos regimes não contributivos, que eram pagos logicamente pelo orçamento geral do estado, poderiam também ser pagos pela SS ou pela Caixa Geral de Aposentações (CGA). E, já agora, em vez do estado contribuir com a sua parte como entidade patronal para a CGA, seria mais barato pagar diretamente as pensões. E porque não autorizar que os gestores públicos fixassem pensões para si próprios quando mudassem de empresa ao fim de 2 anos ? E porque não dar também pensões especiais a políticos, deputados, etc, etc ?
Claro que com tudo isto, quer a SS quer a CGA começam a ver diminuídos os seus fundos.
 
A verdade é que há contas feitas: se o estado pagar o que deve à SS e à CGA, estas têm capacidade para garantir as pensões futuras – obviamente.
E não podemos também esquecer que o pouco dinheiro que ainda existe, pode acabar por desaparecer de forma absolutamente incrível, pois este governo aplicou 90% dos fundos do Instituto de Gestão Financeira da SS em títulos de divida publica. Ou seja, “todos os ovos no mesmo cesto”; se tivermos ... melhor, quando tivermos um novo resgate com perdão de divida, a SS fica de facto falida. Curioso é que quem faz isto é o mesmo governo que impõe à banca e aos seguros regras rígidas com multas milionárias, sobre a má aplicação de dinheiros que sejam garantia de responsabilidades, para salvaguarda da sua solvência, afinal uma regra elementar que qualquer economista aprende logo no primeiro ano...
 
Estamos perante uma das maiores mentiras que o estado já engendrou, para esconder a sua má gestão de dinheiros que não eram seus, mas que lhe foram confiados para gerir em nome dos seus legítimos proprietários: os trabalhadores e as entidades patronais.
Pois tudo isto é muito bonito, mas a verdade é que agora o dinheiro desapareceu. Concordo. Mas não se invoquem razões erradas, pois a culpa é apenas e só da má gestão dos sucessivos governos.
E se o estado considera as dividas a outros países ou os compromissos com empresas como intocáveis, terá também de ter igual critério para com a SS e a CGA.
 
Por vezes, é necessário ir um pouco mais longe e mais fundo para se perceber a verdade da História.
E é para isso que contamos sempre com os jornalistas: informar e esclarecer para uma melhor cidadania.
 
Cumprimentos

25/11/13

Muito obrigados




A ascensão na baixa política pode ser feita com sucesso a passos de coelho (vulgo corrida rápida) conforme exemplo da figura aqui implícita.
Quando as comadres se zangam, o esgoto fica a céu aberto e os dejectos ficam facilmente visíveis.

Ficámos assim a saber por um "arrependido" os pormenores da ascensão a 1º Ministro do repetidamente apregoado legítimo Passos Coelho.
A receita é simples para futuros interessados:
- Escolhe-se um Relvas para coordenar as patranhas e para futuro bode expiatório
- Seleccionam-se os possíveis adversários partidários (Manuela Ferreira Leite p.e.) e descredibiliza-se-lhes o perfil
- Escolhem-se os melhores papagaios para intervirem em blogues, facebook, fóruns televisivos, etc para enaltecer o candidato e enterrar obstáculos
- Contratam-se empresas de comunicação para mexer com telejornais e afins
- Em último caso, deslizam-se confidências junto de familiares das vítimas seleccionadas

O caminho está desbravado, só falta pôr a coleira no eleitorado.
Nada que meia-dúzia de promessas incumpríveis não resolvam o problema.

" Muito obrigados" finaliza o legítimo.

08/11/13

Cardoso Jardim em grande forma para as exéquias políticas

O Comunicado da "mentira canalha"


A canalhice


Documentos retirados do DN-Madeira

Em relação à Calheta, onde o PSD ganhou as eleições, "deve ser operada a regularização já prevista". Já em relação ao Funchal, onde o PSD perdeu a Câmara, a ordem é mais explícita: "Deve ser exigida a regularização da situação, procedendo-se à execução em caso de resistência ao acertado".

No caso dos municípios de Porto Santo, Santa Cruz e São Vicente, onde o PSD também perdeu as eleições, a ordem é ainda mais clara: "Proceder-se-á de imediato à regularização ou, mantendo-se o incumprimento, proceder-se-á à execução das dívidas".
Nos restantes casos, a ordem do presidente à Empresa de Electricidade da Madeira é mais suave e recomenda "procurar que se mantenha o esforço de regularização, não deixando derrapar". Nos restantes casos, inclui-se as Câmaras da Ponta do Sol, Ribeira Brava e Câmara de Lobos, todas ganhas pelo PSD, mas também a de Machico e Porto Moniz, onde o PS ganhou, e a de Santana, cuja presidência é agora do CDS.

31/10/13

Onda de masoquismo percorre os portugueses

Doentes optaram em 57% dos casos por levar das farmácias, medicamentos mais caros

Segundo a Autoridade Nacional do Medicamento, o filme é este:

- Não, não, Sr. Ferreira, eu quero outro mais caro, por quem me toma?

Médicos e Farmacêuticos digladiam-se  por uma relação profícua com os Laboratórios e com aquilo com se compram melões.
Pelo meio, o consumidor de medicamentos, "a esbanjar acima das suas posses", é a eterna vítima.

A solução está mesmo nas mãos dos consumidores:
Haverá sempre um membro da família com acesso à internet.
No site
http://www.infarmed.pt/genericos/pesquisamg/pesquisaMG.php
poderá encontrar os 3 ou 4 genéricos mais baratos, a partir da substância activa do medicamento que necessita

A Ordem dos Farmacêuticos diz que é uma questão de cêntimos.
Vejamos um exemplo, sem grandes pesquisas, relativamente a um medicamento para o Colesterol



Em vez de pagar 8,52 paga 1,51 euros ....

26/10/13

Será conforme a pintarem


Foi preciso estar lá!
Para ver uma manifestação jovem com esmagadora predominância de jovens.
Para avaliar jornalistas que mentem sem faltar à verdade.


O jornalista do DN desenvolve no texto que afinal "estavam 2 mil pessoas em frente ao Parlamento às 18 horas". Vá lá, podia dizer que às 22 horas só lá estavam os polícias. Na verdade às 17 horas o recinto estava cheio e um mar de gente sem lá conseguir chegar.
PODIA TER DITO, que cerca de 15 a 20 mil pessoas participaram da manif em Lisboa

Fica uma grande mensagem:
- Os jovens voltaram à luta, com muita energia e com muita raiva.
  A luta vai ser dura, porque o poder decretou mobilização geral da tropa de choque - jornalistas com a dignidade em saldo,  políticos indignos e infinitos sempre-em-pé.

25/10/13

O doce charme dos esganados

Por elevadas razões pessoais e baixas razões políticas, fui, ontem, parar ao Pátio da Galé, à cerimónia de tomada de posse de António Costa e restantes eleitos municipais.
Ambiente esmagador e esganador.
Uma volta pelo espaço e a constatação de que, para além de pequenas ilhas de povo (progenitores de eleitos anónimos?) sentia-se o pulsar engravatado-socialista, mesmo que órfãos do mal amado Seguro. Ávidos de distantes acenos de cabeça ou efusivos cumprimentos, pululavam também esganados engravatados, numa foto de família de quem está ali para sobreviver na legitimidade etérea e persistente dos que odeiam cheiro a suor e fogem das indesejáveis calosidades laborais.


Todos os eleitos são aplaudidos, numa demonstração de superioridade democrática. Amanhã, retirados os nobres cenários, voltarão a aplaudir os seus gladiadores, mesmo que discordem do que dizem e a assobiar os adversários, mesmo que concordem com o que dizem.
António Costa, aplaudido até fazer doer o bem senso, discursa para a República que o espreita através das câmaras televisivas e estende a mão à direita, à esquerda, acima, abaixo, noroeste e até cruza fronteiras nacionais numa afrancesado cumprimento ao seu homólogo de Rabat.
Saio, evitando assistir à cerimónia de felicitações, um inevitável misto de religioso beija-pés com entrega de cartão de visita para qualquer trabalhinho - leve, pois claro.
Duas portas abaixo, mesmo muito abaixo, um sem abrigo desenha o seu corpo na ombreira de acolhedora porta. As mensagens da Lisboa nova não chegaram até ele. Por perto, os esganados passaram e renovaram desinteressantes conversas ou simularam atender o telemóvel, para o tornarem invisível.
O caminho até ao Tejo está sinalizado com mais invisíveis.
Durante séculos o Tejo serviu para isso mesmo - para fingirmos que Lisboa fica mais limpa!

10/10/13

Aviso: Isto não é anedota, porra!

Um Europeu - dos verdadeiros, do Centro Norte Europeu, dos que julgam que austeridade é um merecido castigo para os falsos Europeus que passam o dia na praia e nas esplanadas - entra numa loja de decoração e compra 3 pinhas, embaladinhas na Holanda, por 2,20 euros, repito 2,20 euros.
Um português presente (este vosso criado) vai para casa, a correr, para colocar este post.
Os meus leitores chamar-me-ão Passos Coelho, porque não acreditam, evidentemente.
"Que o Portas defenda para sempre os grisalhos" se isto não é a pura verdade!


28/09/13

27/09/13

VOTE, PORRA!

PEDIMOS DESCULPA POR ESTA INTERRUPÇÃO

O ASSALTO CONTINUA NA PRÓXIMA 2ª FEIRA


Para que a peça macabra que está a ser servida aos portugueses não se perpetue, depois deste interlúdio para pintar um país cor-de-rosa

VOTE

  • naqueles que localmente lhe oferecem confiança
  • contra aqueles que diariamente lhe destroem o presente e o futuro




26/09/13

Andamos distraídos ou somos apenas fantoches?



A campanha eleitoral não é um baile de máscaras, cujo único objectivo é fazer uma dança de cadeiras.
"Isto" decide as nossas vidas, alimenta sonhos mas também alimenta a segregação, o racismo e o terrorismo verbal.
É preciso que, de uma forma simbólica ou por atitudes concretas, sejam banidas todas as formas de fascismo. 
Ou então, entremos todos neste baile de máscaras, até termos vergonha de sair à rua.
Parabéns João Semedo!





25/09/13

Eleições nacionais

Paulo Portas pegou no megafone e proclama que "isto são eleições autárquicas, não são nacionais".
O Vice tem consciência que o julgamento popular deste governo acabaria mal. Ponham uma velinha na Senhora de Fátima por não estarmos na Idade Média - qualquer Robin Hood de alpergatas lhes punha o pé no pescoço, pelos impostos aplicados ao povo, até ao último grão de trigo.

Pois é, mas na verdade não há eleição de autarca milagroso que resista ao esmagamento proveniente de governo anti social.
Isto são mesmo eleições nacionais - nos cantinhos e cantões de Portugal.

Isto é mesmo para julgar um governo que 
nos estrangula de impostos e a dívida do Estado cresce
contribuiu para os desastrosos contratos Swaps e nos obriga a pagar o fim antecipado desses contratos
beija a mão à "solidariedade europeia" que nos faz pagar juros especulativos

enfim
embandeira em arco, quando 96% do aumento dos nossos impostos destinaram-se a pagar os juros dos empréstimos da Troika

A dívida não pára de crescer e o país (nós) afunda-se
Solução?
Mais impostos nas costas do pessoal.

É verdade as eleições são mesmo nacionais!






12/09/13

Agora ou nunca!


Se deixarmos, estes gajos vão atrás de nós até à cova.
Acabemos com eles, antes que ...

11/09/13

PS aprendeu com as seguradoras

Fantástico! Onde é que subscrevo?


Depois ... bem, depois vem a técnica das letras minúsculas para que tudo fique na mesma! Os tais "idosos mais carenciados" já estão "salvaguardados" pelo amigo Passos Coelho.
São aqueles que, por carências económicas, demoram mais de 1 mês a definhar completamente!


09/09/13

Cantando e rindo

No "bom caminho"



Depois de encerrar a Alfredo da Costa, pode ser que também vá ao "bom caminho" ...



06/09/13

A explicação

Imensa gente interroga-se e critica a razão pela qual a esquerda não cria uma frente comum nesta período de salvação nacional.
A Madeira dá-nos um bom exemplo da tolerância e cooperação entre partidos com ideais diferentes mas com objectivo comum, partilhado por grande parte da população, de acabar com o jardinismo.

Vejam o que escreve um membro da Comissão Política do PCP sobre a decisão do Bloco de Esquerda em solicitar um esclarecimento ao Tribunal Constitucional sobre a limitação de mandatos, assunto comprovadamente polémico demonstrado por decisões diferentes tomadas por diferentes juízes.
Este membro do PCP insurge-se, não só com a decisão do BE, mas vai mais longe e insulta o próprio BE.

populismo doentio
demagogia mais rasteira
minar a credibilidade da política e dos direitos democráticos
confina-se à perseguição de candidaturas
projectos de amputação e cerceamento democráticos

Pobres portugueses que acreditavam ser possível construir solidariamente uma barreira de esquerda aos desmandos duma direita que nos faz regredir na história da Democracia em Portugal

 O recurso dos vencidos

Jorge Cordeiro
05/09/2013 - 23:28

Seja qual for a posição que cada um assuma perante o princípio da limitação de mandatos – e a do PCP é de há muito conhecida pelas razões e fundamentos que nos dispensamos de reapresentar – já tem outro significado, bem mais grave e inquietante, pretender que essa limitação ultrapasse as fronteiras de um impedimento a uma recandidatura numa determinada autarquia para ganhar a dimensão de expropriação do direito político de um qualquer cidadão se poder candidatar.
1. Merece contestação e repúdio, embora não se estranhe, que organizações fascizantes e de extrema-direita como a da Revolução Branca inconformada com o regime democrático, as liberdades e direitos fundamentais se assuma enquanto aríete da cruzada antidemocrática que a propósito da limitação de mandatos se empreendeu no país. Mais perplexidade causa ter visto o Bloco de Esquerda, não só acompanhar e animar essa campanha, como tomar nas suas mãos esse papel na fase do processo eleitoral.
E por antecipação às vozes indignadas que venham a surgir acusando-nos de estar a comparar o incomparável em termos de doutrina e objectivos das organizações acima citadas, aqui se esclarece que não estamos. Apenas e tão só a constatar o que objectivamente não pode ser negado: o facto de que à vez, primeiro aquela agremiação por via de providências cautelares que, embora inúteis e sem sustentação jurídico-constitucional, algumas surpreendentes decisões judiciais animaram politicamente, e depois o Bloco de Esquerda por via de uma insensata fúria impugnadora (com a hipócrita companhia do PS, diga-se), deram corpo à operação a que acabámos de assistir.
E se a decisão agora conhecida do Tribunal Constitucional, esperada e óbvia, pôs termo a este processo bem se pode dizer que quem as animou contribuiu, e não pouco, para alimentar o populismo mais doentio e a demagogia mais rasteira, e para minar a credibilidade da política e dos direitos democráticos.
Merece anotação que tudo o que o BE tenha para apresentar ao país nestas eleições autárquicas se confine à perseguição de candidaturas. Como não deixará de ser objecto de registo por todos os que vêem nestas eleições mais do que a pequenez dessa dimensão, que este tenha feito desta decisão o elemento central das conclusões da sua convenção autárquica e o eixo essencial da sua campanha eleitoral.
Um “projecto” autárquico que se esgota no anúncio de impedimento de elegibilidade de outros poderá ter como objectivo procurar ganhar na secretaria o que no terreno do debate eleitoral não obtém vencimento, mas será sem dúvida curto demais para o que está em discussão e decisão em eleições locais. O caminho da limitação de direitos fundamentais, e mais ainda da sua liquidação, é um caminho perigoso que todos quantos se identificam com o regime democrático deveriam conhecer e prevenir pela simples razão de que hoje são estes os invocados para serem cerceados e amanhã serão outros mais profundos e não menos inquietantes. Que forças e organizações fascizantes o queiram percorrer pelas razões que se antevêem percebe-se, embora se repudie. Que outros sem esse posicionamento e objectivos os acompanhem na ilusória ânsia de uns quantos votos fáceis é bem mais grave.
2. Dir-se-á com verdade que esta azáfama impugnadora poderá ficar para a história conhecida como a do recurso dos vencidos. Assim é. Deitando mão ao recurso julgado mais útil – o dos recursos judiciais de impugnação – o BE expôs à evidência um conjunto de concepções, posicionamentos e argumentos reveladores da inconsistência política que o caracteriza.
No arsenal de argumentos e pretextos sempre apresentados como os mais moralizadores e válidos, o BE não olhou a meios e bem menos ao rigor. Para o Bloco princípios constitucionais como o direito fundamental de acesso a cargos públicos em condições de igualdade e liberdade, o princípio da elegibilidade enquanto regra e o da inelegibilidade como excepção, o juízo da proporcionalidade entre o direito fundamental em causa e os interesses com ele concorrentes, são chão que deu uvas.
Umas quantas, datadas e descontextualizadas citações de Rousseau no século XIX são bastantes para, transformando o iluminismo deste com o obscurantismo teórico de quem o invoca, fazer tábua rasa do comando constitucional sobre direitos e garantias políticas fundamentais; a inflamada invocação da proposta do Governo de Cavaco Silva de 1991 sobre a limitação de mandatos, com recurso à citação do então ministro Valente de Oliveira no debate parlamentar de então, chega para atestar o conceito de moralização de vida política que o BE parece partilhar; a deliberada mistificação sobre o chamado princípio da renovação de mandatos, insinuando em sua contraposição um quadro de perpetuação de poder, para iludir que essa renovação está sempre garantida pelo voto soberano das populações; o trocadilho sobre o alcance de uma preposição e a sua contracção com um artigo definido (sobre a dimensão jurídica do de e do da) para “na dúvida” optar pela restrição em detrimento do direito. Ao que se deve juntar a intolerável e insultuosa tentativa de transformar cada um dos milhares de eleitos locais em potenciais réplicas de Alberto João Jardim.
No vale tudo argumentativo, o Bloco recorreu sempre pelo lado dos vencidos: assumiu objectivamente o que de mais reaccionário a Revolução Branca propagandeou e promoveu, até esta ser desautorizada e vencida, quer por acórdão do Tribunal Constitucional sobre as providências cautelares, quer pela ilegitimidade superveniente para lhe dar seguimento no processo eleitoral; citou abundante e copiosamente em seu favor o voto vencido do presidente da Comissão Nacional de Eleições ignorando a deliberação largamente maioritária adoptada pela entidade sobre a matéria; invocou entusiasticamente em seu socorro o processo legislativo de 1991 sobre a limitação de mandatos fingindo desconhecer que a lei então aprovada foi declarada inconstitucional por acórdão do Tribunal Constitucional; sustentou repetida e falsamente a tese da inelegibilidade (absoluta e inibidora de direitos políticos apenas permitida em circunstâncias especial e obrigatoriamente previstas na Lei) em contraponto à da limitação que em concreto se encontra em vigor, escamoteando o facto de tendo o BE apresentado em 2005 um projecto-lei que explicitamente visava aquele objectivo esse diploma ter sido rejeitado pela esmagadora maioria do parlamento.
3. Não deixa de ser significativo que alguns dos que fazem desta questão o centro de tudo e que associam o número de mandatos a alegados vícios do sistema político e as teias de interesses económicos percam, porque o não têm ou ignoram, o sentido de classe que por detrás destes fenómenos se escondem e em muito os ultrapassam.
O que determina aquelas situações é a natureza de classe e os interesses económicos que lhe estão associados independentemente do papel dos indivíduos. É uma pura ilusão admitir que a teia de interesses e dependências políticas, económicas e sociais não sobreviverá pela mão dos partidos que lhes dão expressão apenas pela mera mudança do eleito dessa mesma força política. Bastaria olhar para as remodelações governamentais para se perceber que vão as pessoas mas as políticas ficam. Só por imaturidade política se pode privilegiar a natureza pessoal no exercício dos cargos, ignorando a própria seriedade de cada um, para ocultar os interesses que estão presentes para lá dos indivíduos em si considerados. Alguns dos que fingem compromisso com a isenção ou transparência fazem-no para esconder agendas obscuras, ambições de poder, projectos de amputação e cerceamento democrático.
E só por imprevidência política se pode prosseguir um caminho de criminalização da política e dos políticos, explorando profusamente concepções populistas e alimentando suspeições sobre o exercício de cargos públicos na base da generalização de práticas e comportamentos. A campanha a que se assistiu deixou marcas bem mais profundas na democracia, é preciso que todos tenham disso consciência, do que aquelas que os que viram na coisa um filão rico de apoio eleitoral imaginam.
O recurso a expedientes, o exercício de surfar a onda da demagogia e do populismo, a busca de apoio fácil à corrente das ideias dominantes, mesmo que com a expectativa de algum proveito de curto prazo, acabará por ser paga com preço elevado. Seja o recurso à limitação de direitos seja a de animar e promover listas de cidadãos - quer por falta de apoio e projecto próprio, pretendida dissimulação ou porque é moda ser contra os partidos, a política e os políticos em abstracto - em contraponto às dos partidos, identificando nuns um paraíso de costumes e noutros um inferno de pecados.
Jorge Cordeiro é membro da Comissão Política do PCP

27/08/13

São Macário deu à costa

NEM TUDO SÃO MÁS NOTÍCIAS


MAS A AMEAÇA PERSISTE


21/08/13

Tanto lixo

Durante a longa noite jardinista, estes 2 senhores conjugaram esforços contra terceiros.
Ou melhor, Albuquerque foi mais uma das marionetas políticas de Cardoso Jardim tendo em vista vencer, por bom comportamento, a guerra dos delfins.
Mas o tempo passava e Jardim não descolava. Para onde, perguntar-se-ia?
Albuquerque cortou os fios da marioneta e quer dar continuidade ao jardinismo com outros protagonistas.

Por tudo isto, parece correctíssima a designação de "guerra do lixo"!!!



Contador

O poder da mente

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Nós os iluminados

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A vitória do Ponto e Vírgula

Ressuscitemos a célebre exclamação - "Isso agora, ponto e vírgula".
Esta frase de cariz popular, representava uma forma simbólica de dizer que levantava muitas objecções e exigia explicações a algo que lhe merecia desconfiança.
Regresse o "ponto e vírgula" como forma de dizer BASTA!

Apareçam sempre por aqui!

Na dita Madeira profunda

Na dita Madeira profunda
Bela homenagem (Março 2004)